(Versão Redux)
1. Então o DEM traiu o Maia que agora vira ícone da
esperança do impeachment...rs. O centrão traiu seu acordo original em nome de
cargos e verbas do governo federal...Olha!!! Que surpresa!!!! Quando a gente
poderia imaginar, não??! Justo o centrão!!!!
Mas afinal, o que estamos assistindo?
O que estamos assistindo é a ascensão dos militares
com Bolsonaro (junto aos milicianos) apoiados por setores importantes da
sociedade civil como banqueiros, partidos políticos (Congresso nacional),
Agronegócio e "Investidores" (jogatina na bolsa de valores, ou seja:
jogo do bicho de rico).
......
2. Em 64 havia um impasse com o impedimento do
retorno de João Goulart com a renúncia de Jânio Quadros. Os militares se
apropriam de um vazio de poder e tomam à dianteira num processo que acaba por
liderar toda a massa ressentida, assolada por um fantasma anti-comunista, ávida
por um entreguismo pros U.S.A. (Guerra-Fria pegava pesado...), classe alta,
investidores, setores médio/urbanos apostando no autoritarismo brasileiro. A
ditadura militar segue de 1964 a 1984.
Ali os milicos fizeram o que fazem de melhor:
batem, cerceiam, torturam e censuram quem discorda. Investem em planos
faraônicos (Itaipú, Transamazônica, Projeto Jari, etc) todos superfaturados,
com muita gente e empresa pendurada e mamando... Injetam grana na classe média a
custo de dívidas a prazo perdido (os brasileiros do futuro que lutem: a dívida
externa e a hiperinflação dos anos 80/90 veio disso daí).
......
3. Vargas assume o poder no Brasil em 1930. O fez
com apoio dos militares (ele mesmo, Vargas, havia chegado a Sargento do
exército no Sul). O que os militares com Vargas realizaram em 30 foi tomarem
para si a dianteira diante da decadência de um regime oligárquico (aristocracia
do café) popularmente conhecido como
"República do Café com Leite". Vargas começa em 30 e, resumidamente,
de 37 a 1945 governa com um golpe dentro do golpe, o chamado Estado Novo. O
apoio a Vargas durou enquanto durou um certo apego nacional das nossas elites
diante das incertezas de um mundo em destruição (estamos no contexto da segunda
guerra mundial).
Mas ditadura é ditadura: a tortura foi aperfeiçoada
na Era Vargas. A Filinto Muller é atribuída a invenção da tortura por “eletro-choque”
e foi ele quem capturou Olga Benário (judia comunista esposa de Luis Carlos
Prestes)... Detalhe: Vargas enviou a moça grávida como “presente” para Adolf
Hiltler.
É nessa época que setores das forças armadas se (con)fundem
com agrupamentos armados formando escuderias de justiçamento e chacina (“limpeza”
racial/social à brasileira) que dão origem aos “esquadrões da morte” que se
confundem com o os departamentos oficiais de repressão como o Dops (criado em
1924 e muito bem empregado com os govcernos de Vargas). Essas coisas vão dar origem
na ditadura de 64/84 aos polos DOI-CODI, famosos pela violência e tortura no
Brasil.
Aaahhh... Já
ia me esquecendo: essas instituições promiscuamente articuladas dão origem
àquilo que hoje denominamos “milícia”... Que brasilzinho interessante esse,
não?
Voltando...
Com a mudança de paradigma (Guerra-Fria) Vargas se
torna "anacrônico" para os desejos de "modernização" de
nossas elites: moderno era o alinhamento imediato à grande potência que emergia
nas Américas: os U.S.A.
Vargas foi muito útil para nossas elites.
Depois deixou de ser.
....
4. Esgotado politicamente, o império assiste a
ascensão do exército brasileiro com a Guerra do Paraguai, em meados do século
XIX. Guerra que laureou o Sr. Luís Alves de Lima e Silva com o título de “Duque
de Caxias”. Exímio genocida, caxias é reponnsável por inúmeros massacres no
Brasil que ocorreram com as degolas das chamadas “Revoltas Regenciais”.
Obviamente nada se compara à Guerra do Paraguai (1864-1870) em que o exército
brasileiro foi responsável pelo genocídio de grande parte da população
masculina do Paraguai, tendo sido famoso, inclusive, pelo massacre de crianças
em campos de batalha (por causa do infanticídio de crianças paraguaias, o dia
da criança naquele país é 16 de agosto).
Esse exército, imbuído de ideais de progresso
(positivismo) vai se "casar", via "amor à primeira vista",
com os republicanos (PRP) para proclamar a República em 1889 que se inicia com um
período militar , a chamada República da Espada, que tem como seus epígonos o
Marechal Deodoro da Fonseca e Marechal Floriano Peixoto.
Floriano ficou conhecido como “Marechal de Ferro”
devido à sua truculência: debelou revoltas como “Revolução Federalista” e “Revolta
da Armada”. Na “Federalista” ele foi tão bonzinho que a cidade de Desterro
passou a carregar seu próprio nome: “Florianópolis” (a cidade de Floriano...
imagina a pessoa).
Os militares ali se compreendiam como o grande polo
disciplinar do país: centro de irradiação do progresso e da cientificidade.
Sempre se considerariam como tal e vivem à espreita
do dia em que serão chamados para "servir a nação". Para eles,
"servir a nação" é arrebentar parte da população: aquela que
desobedece, aquela que não presta, aquela que não se enquadra em seus ideais
(coloca aí todo o pacote racista/ machista/ ideológico que você está pensando
porque encaixa muito bem).
....
Algumas lições a gente tira disso:
1. A história da República brasileira funciona como
uma valsa: "vai milico e volta milico" (uma “valsa fúnebre”)
2. Milico quando se mete no poder, faz uma lambança
que só, mata, tortura, rouba, corrompe, tira a liberdade e não resolve nada.
3. Sempre chegaram ao poder e vão continuar
tentando. Agora, por exemplo, estão fazendo isso.
4. Setores abastados/ privilegiados da sociedade
brasileira (multi-milionários) SEMPRE apoiaram a truculência militar em nome de
uma suposta "ordem". (Sim, o Brasil sempre teve seus "véio da
Havan").
5. Se você "votou" no Bolsonaro por um
certo "espírito revolucionário", achando que iria "mudar o
país"... VOCÊ ACHOU ERRADO, OTÁRIO!!! Sim!!! Vc foi um joguete ideológico
na mão de setores brasileiros que sempre viram no monopólio de nossa economia, de
nossa política e de nossa mídia, o lugar ideal de onde garantir que seus
privilégios político/econômicos e sociais se mantenham pela eternidade...
Yes!!!! The Mamata never ends! (And
strikes again!!!)
6. O Brasil só será livre quando os crimes
militares forem devidamente julgados (...pode começar com Bolsonaro e Pazuello,
mas não esquece do Heleno, do Santos Cruz, do Braga Neto, do Etchegoyen) ...
Daí que só seremos país com República e democracia quando a tutela do
autoritarismo militar e civil/oligarca (e agora também miliciano) não for mais
uma limitação à ascensão de um povo solidário e realmente senhor de seu próprio
destino.
....
Observações:
a. Desculpem demais amigos historiadores pela
simplificação. Simplificar é preciso, viver tá difícil.
b. Porque tô escrevendo isso?
Prá deixar registrado. Prá quiçá a gente nunca se
esqueça. Prá deixar marcado o lugar da história que eu estava quando essa
birosca for pelos ares... oooppsss... Já foi de novo...
c. E aí tá incluso um monte de coisa que não
explorei, como por exemplo, o colonialismo predatório (anti-ambiental, claro)
que nossas elites fazem com a gente (e com essa colonização todo o massacre
étnico/cultural que executa... e que, justiça seja feita, não é exclusivo dos
militares).
d. Prá que as pessoas que leiam isso entendam que o
buraco é mais embaixo, que a gente tá sempre preso à nossa síndrome de
Republiqueta de Bananas e que é preciso sermos democráticos de verdade quanto
antes....
e. Eu tenho esperança? Não. Tenho teimosia.
f. Para que depois de tudo isso, você entenda a
frase de meu querido amigo Ricardo Carpin, que eu propago quase todos os dias
pelos quatro cantos escuros desse “país”:
"Brasil...tem, mas acabou".
Abraços,
Prof. Fábio Martinelli Casemiro